Sua aparência com pintas de jaguatirica é puro charme e seu temperamento é de um gato amoroso e de forte ligação com o dono

Ele é elegante, bonzinho, sociável, carinhoso e possui lindas pintas na pelagem. E estas são apenas algumas das qualidades deste charmoso felino de aspecto selvagem chamado de Ocicat, cujo nome remete ao ocelot (termo em inglês para “jaguatirica”). “São muito companheiros e brincalhões. Gostam de ficar grudados com o dono, seguindo-o pela casa, e de dormirem junto (senão em cima) durante a noite. Ficam por perto o dia todo. De tão dóceis até deixam fazer carinho na barriga”, comenta Guilherme Fetter, do gatil Mostacada, de São Paulo, pioneiro na criação da raça no Brasil, trazendo o primeiro casal em 2021.
Por este comportamento mais “chicletinho” e “carente” da raça, o criador sueco Hans Boskär, do gatil Hot Thundereans, aponta que o dono ideal do Ocicat é aquele gateiro que busca por um felino ativo, sociável, inteligente e emocionalmente engajado. “Esta raça não serve para quem gosta de gatos independentes e distantes. O Ocicat precisa de interação, estímulo mental e presença humana. São perfeitos para famílias ativas ou qualquer pessoa que queira um gato companheiro”, descreve Hans, que cria a raça desde 2011 e se apaixonou por ela após convivência com um casal de fêmeas. “Me tornei criador, pois fiquei extremamente fascinado pela inteligência, sociabilidade e conexão profunda da raça com humanos, e queria que cada vez mais pessoas tivessem a chance de conviver com este gato extraordinário”, compartilha. Para Hans, o que torna o Ocicat tão especial é a combinação única de aparência selvagem e temperamento muito doméstico. “Eles parecem pequenos gatos selvagens, mas se comportam mais como cães do que como gatos típicos, seguindo seus donos pela casa, cumprimentando na porta, aprendendo rotinas rapidamente e alguns até gostam de passear na coleira. Eles querem participar de tudo o que você faz – não apenas estar por perto, mas estar envolvidos”, detalha.
UM POUCO DE HISTÓRIA
Embora tenha marcações de felino selvagem, a raça não é resultado de cruzamento híbrido, ou seja, quando um gato doméstico cruza com um felino selvagem (caso do Bengal e do Savannah). O primeiro passo para a origem da raça se deu em 1964, nos Estados Unidos, a partir da tentativa de uma criadora chamada Virginia Daly em obter um Siamês com coloração do Abissínio. Cruzando as duas raças, nasceram gatos que se pareciam com o Abissínio e Virginia ficou com uma fêmea. Ela se chamava Dalai She, e foi posteriormente cruzada com um Siamês chocolate. Com estas experiências a criadora obteve uma gata diferenciada, de cor marfim e pintas douradas semelhantes ao de felinos selvagens, chamada Tonga. Porém, Virginia a castrou e encerrou os cruzamentos. Foi quando um geneticista chamado Dr. Keeler se interessou por Tonga, que o projeto do Ocicat surgiu. Ele pensou que seria possível criar uma raça semelhante ao raro e quase extinto Mau Egípcio utilizando os pais de Tonga em um programa de criação. Assim, com a ajuda da própria Virginia e de outros criadores que abraçaram o projeto de estruturação desta nova raça, surgiu o Ocicat, desenvolvido a partir de cruzas com Siamês, Abissínio e American Shorthair. O Ocicat obteve reconhecimento oficial das entidades da gatofilia ainda na década de 1980.

Em casa, o Ocicat é um gato brincalhão, ativo sem ser inconveniente e que segue o dono por toda parte
OCICAT NO MUNDO
A raça vem conquistando gateiros pelo mundo afora com sua aparência exótica e temperamento gentil, embora ainda seja raro e sua criação se concentre mais nos Estados Unidos (EUA) e na Europa. “Ao todo, já nasceram 16 Ocicats no Brasil, sendo que 13 ficaram aqui, os demais foram exportados para Suécia e Argentina. Dado a raridade e a ampla variação de cores, temos algumas demandas de criadores da Europa por nossos filhotes (aguardando nascerem algumas combinações de cores específicas) e uma fila de espera que pode variar de 6 a 12 meses. Temos bastante interesse de pessoas que tiveram contato com um Ocicat (em exposições ou por amigos), pois quem conhece um Ocicat se apaixona”, aponta Guilherme. Ainda segundo ele, os Estados Unidos ainda são referência na criação da raça e representam, aproximadamente, 15 dos 50 criadores do mundo. “Porém, o número de criadores nos EUA tem decrescido, assim como na Europa, principalmente na Finlândia e Suécia, que têm se tornado referência na manutenção e criação da raça”, diz. Hans aponta que o Ocicat ainda é considerado raro na Suécia, embora o país tenha um dos maiores grupos de criação em relação a outros países. “Infelizmente, o número de criadores está diminuindo, e não aumentando. Isso é bastante surpreendente, considerando quão fantástica é a raça. Acredito que todo criador sério deve ter como objetivo não apenas criar gatos, mas também inspirar pelo menos dois novos criadores, caso contrário, raças pequenas como o Ocicat correm o risco de desaparecer lentamente”, opina o criador sueco, que já exportou gatos para o Japão, China, EUA, França, Rússia, Suíça, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Croácia, Alemanha e Brasil. “Dos cerca de 190 gatos que nasceram em meu gatil, aproximadamente 20 foram exportados”, revela.

Foto: Carla Durante/Gato: Perth/ Gatil Mostacada (direita) – Ocicat: ideal para qualquer
pessoa que queira um gato companheiro e de aparência exótica
DETALHES DA CONVIVÊNCIA
O Ocicat é um gato comunicativo. “A ancestralidade deles traz o aspecto de comunicação, sendo gatos comunicativos, que gostam de falar com os donos e pedir atenção vocalmente se não a tiverem. O som do miado deles é mais doce e fino (não se parece com a de gatos selvagens) – mesmo quando adultos”, explica Guilherme, que ainda exemplifica: “vai para a cozinha mexer no armário onde fica o sachê? Ele irá esperar e pedir (vocalmente) comida. Eles entendem o que falamos, comunicamos pelo nosso tom de voz, são muito inteligentes e corajosos, se sentem estimulados a explorar a casa.”
Ao passo que gostam de relaxar no sofá com o dono, também são gatos ativos, que correrem pela casa, brincam correndo atrás de outros pets, por exemplo. “Eles correm e brincam pela casa, mas não são de morder ou destruir as coisas (nem de pular em cima do ventilador, como algumas raças mais ativas). Precisam de espaço e gatificação para se divertirem e, sempre, de uma companhia”, atesta Guilherme, que reforça o já citado apego do gato à sua família. “Vai sentar-se no sofá para assistir televisão? O Ocicat se aninhará ao seu lado. Vai arrumar a casa? O Ocicat estará sempre por perto vigiando. Eles gostam de companhia humana e de outros pets, insistem em ficar próximo mesmo que estejamos ocupados ou que o outro pet não dê muita atenção. Pedem colo e carinho e deitam-se em cima da gente. Impossível sentir-se sozinho em qualquer cômodo da casa se tiver um Ocicat. Tanto que não indicamos o Ocicat para quem não tem outro pet ou não fica em casa. Isso porque, um Ocicat sozinho fica entediado e triste”, enfatiza Guilherme, que diz ter feito uma viagem por vários países na Europa com um exemplar, que ficou muito bem no carro e em hotéis/lugares desconhecidos. “Quando jovens (até 12 meses), parecem um pouco com crianças mimadas e, quando adultos, ficam consideravelmente mais calmos. É comum um adulto virar de barriga para cima (algo raro em gatos) para seus responsáveis e até visitantes”, pondera.
O criador brasileiro ainda diz que é muito comum o Ocicat surpreender os veterinários positivamente. “Eles dizem esperar que o Ocicat fosse mais ‘agitado’, mas se surpreendem com a facilidade de manusear e examinar estes gatos”, revela. Guilherme também diz que a raça costuma ser teimosa, mas aprende com facilidade os limites. “Quando querem algo eles insistem, mas percebem facilmente (por voz e olhar) que não podem fazer”, explica.

Cenas comuns do dia a dia de quem tem um Ocicat: carinhosos e dóceis adoram ficar por perto

Visual selvagem é apenas um dos atrativos da raça

Foto: Carla Durante/Gatos: gatil Mostacada (direita) – No Brasil, tons mais quentes como o chocolate (à dir.) têm a preferência dos gateiros
APARÊNCIA & SAÚDE
O Ocicat é considerado um gato de médio a grande porte. “Nas exposições de beleza felina do Brasil, tem mostrado um tamanho físico consideravelmente maior que o do Bengal. São gatos musculosos (o que os fazem pesados). Os machos podem chegar a 6 ou 8 kg e as fêmeas cerca de 4 ou 6 kg”, comenta Guilherme.
Em relação à saúde, Hans aponta que o Ocicat é uma raça muito saudável e robusta. “Nenhum dos nossos gatos apresentou qualquer problema genético. Até o momento, nenhuma doença cardíaca foi detectada em nenhuma de nossas linhagens. A deficiência de piruvato quinase (PK) – que causa anemia hemolítica – é um problema conhecido no Abissínio, mas todos os nossos gatos são geneticamente livres dela”, acrescenta.

Tons mais claros de base silver são mais populares em países nórdicos.
PELAGEM EM DESTAQUE
O Ocicat pode ter apenas pintas (chamadas de spots), não listras ou marcação marmoreada (ou do inglês, marble), e possui 12 opções de cores aceitas no seu padrão oficial. “A cor mais comum é a chocolate e a procura varia muito – principalmente por país. Nos países nórdicos, a pelagem mais clara (base silver- prateada) é a mais procurada por lembrar os felinos selvagens de lá. No Brasil, as colorações mais quentes como chocolate e canela têm sido mais procuradas, mas varia muito”, opina Guilherme.
A raça possui pelagem brilhante e macia, e o criador explica que, por ser curta e sem subpelo, exige baixa manutenção. “Ele perde pouco pelo e pode ser escovado uma vez ao mês normalmente e, uma vez na semana em época de troca de pelo, que é muito curto, solta pouco e dá baixa manutenção”, finaliza o criador brasileiro.
Agradecemos:
Guilherme Fetter, Gatil Mostacada – (51) 99843-1175
Instagram: @ocicat.brasil; www.ocicat.com.br
Hans Boskär, Gatil Hot Thundereans – (+46) 0735-00 78 33
Por Samia Malas
