8 dicas infalíveis para adaptar os bichanos em hotéis

Alguns gatos podem sim se adaptar e ficar bem em hospedagens enquanto seus donos viajam

Foto: Svetlana Sultanaeva/iStock

Com o crescimento de serviços voltados para felinos, a hospedagem cat friendly ganhou espaço entre os tutores de gatos. Porém, como saber se o seu gatinho ficaria bem em um estabelecimento como estes? Segundo Mayara Corrêa Peixoto, médica-veterinária comportamental, os gatos mais extrovertidos, que se mostram mais curiosos em explorar novidades e ambientes diferentes dos rotineiros, assim como a presença de indivíduos diferentes do seu convívio, são os mais propensos a conseguir frequentar tais hospedagens. “Se o gato não sai do esconderijo, não realiza seus comportamentos normais de alimentação e de ingestão de água, assim como de uso da caixa sanitária, é um forte indicativo de uma não adaptação a creches e hotéis para felinos”, alerta.
Michele Matsubara, veterinária comportamentalista, psiquiatra especializada em felinos e atuante no ramo de hotel para gatos há 12 anos, aponta que gatos de personalidade segura, naturalmente curiosos, e que tolerem bem o contato com novas pessoas atendem o perfil de possíveis hóspedes felinos em hotéis. “E, claro, que também não possuam doenças infectocontagiosas, doenças em fase aguda ou crônicas não estáveis”, acrescenta. Ainda segundo Michele, o público que consome esse tipo de serviço costuma ser mais moderno. “Este perfil de gateiro gosta de investir seu dinheiro em experiências e, por isso, vive em grandes centros que têm grande oferta de moradias verticalizadas, locais onde o gato tem se tornado uma excelente opção de pet. Dentro desse contexto, e considerando o grande sucesso dos gatos na sociedade atual, já é de conhecimento no mercado pet o aumento contínuo no número de gatos adquiridos por esse perfil de público. Assim sendo, a percepção desse fenômeno é tanto cultural, quanto apresentada nos dados crescentes das empresas que trabalham com foco em gatos”, explica Michele.
A seguir, veja algumas dicas que ajudam o bichano a se adaptar aos hotéis para gatos.

1. ADAPTAÇÃO NA INFÂNCIA
Para Mayara, o ideal é sempre começar com uma adaptação no período de socialização primária do gato (até os 6 meses de vida), expondo-o a estímulos variados como passeios com guia, viagens de carro, interação com outras pessoas fora do convívio rotineiro e visitas regulares a locais espacialmente distintos. Michele concorda, e diz que quanto mais jovem o gato for na primeira hospedagem, mais adaptável aos novos estímulos ele será, e mais memórias positivas sobrea hospedagem ele acumulará. “É interessante que o gato, ainda filhote, tenha um protocolo de socialização e sociabilização para que se torne um adulto seguro frente a novos cenários que possa encontrar na vida. Esse tipo de protocolo é prescrito por veterinário especializado em Medicina Comportamental, e deve fazer parte das primeiras consultas ao se adquirir um gato”, sugere Michele.

2. LEVE UMA REFERÊNCIA OLFATIVA PARA O GATO
Para gatos que não possuem muitas experiências fora de casa, Mayara aponta que, o ideal, é que se leve ao hotel o maior número que recursos com o odor do gato e da família, como brinquedos. Michele concorda, e indica que o tutor leve uma roupa ou fronha usada para que o animal tenha uma referência de casa, e a maior quantidade possível de objetos ao quais o gato é ligado. “Essa é uma parte bem divertida de se trabalhar com hospedagem de gatos, pois os tutores usam a criatividade na hora de escolher os objetos, chegando a levar até o assento do sofá de casa”, compartilha Michele.

3. LARES COM MAIS DE UM GATO
Mayara ainda reforça que, se houver mais gatos na casa, estes não devem ser separados no hotel.

4. HOSPEDAGENS CURTAS
Começar com estadias mais curtas de 2 dias (um fim de semana comum), é outra dica dada por Michele, para que o felino se acostume gradativamente.

5. HOTEL EXCLUSIVO PARA GATOS
O hotel precisa ser exclusivo para gatos, reforça Michele, com quartos individuais, de preferência com janelas com vista para fora, não podendo haver chance de que ele veja outros hóspedes. “O enriquecimento ambiental torna a hospedagem mais divertida e fornece locais para que ele possa se esconder”, acrescenta.

6. FEROMÔNIOS
Outro ponto que ajuda o gato a se adaptar mais rápido e a ficar confortável segundo Michele, é o uso de feromonioterapia nos quartos, através de feromônios sintéticos colocados nas tomadas dos ambientes e que difundem odores que trazem conforto aos felinos.

7. NÃO TRAUMATIZE SEU GATO
Outra boa dica segundo Michele é levar o gato, durante toda a sua vida, somente em clínicas veterinárias especializadas em felinos, com manejo cat friendly, a fim de que ele não forme más memórias sobre o “sair de casa”.

8. RESPEITE OS LIMITES DO GATO
Por fim, Michele recomenda que se tenha respeito em relação ao tempo e o ritmo de cada hóspede, deixando que eles escolham quando e como vão interagir ou brincar. Esta dica é essencial para qualquer nova adaptação feita com gatos.

Nossos agradecimentos:

Mayara Corrêa Peixoto
Médica-veterinária com residência (2012) e mestrado (2015) em Nutrição e Nutrição Clínica de Cães e Gatos pela UNESP.
Mentoria em Psiquiatria Veterinária e Comportamento Animal pelo Córtex Saúde Animal.
Certificação Cat friendly Veterinarian AAFP.
Membro da ABMEVEC (Associação Brasileira de Medicina Veterinária Comportamental)

Michele Matsubara
Médica-veterinária Comportamentalista e Psiquiatra especializada em felinos. Sócia fundadora da Gatolândia®.
Membro da Associação Brasileira de Medicina Veterinária Comportamental e atuante no ramo de hotelzinho para gatos há 12 anos

Por Samia Malas

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