Highlandher: Alegria para dar e vender

Dono de características exóticas, gato não recusa um convite para brincar.

Gatil The Wild & Heart

Bonito, diferente e dono de muita energia, o Highlander é um felino que chama a atenção por suas qualidades e curiosidades.
Aparência selvagem imponente, orelhas curvas e a cauda curta são as diferenças mais visíveis. Mas se tiver um contato mais próximo, será fácil reconhecer seu temperamento doce e alegre, afinal, se tem uma coisa que esse gatão gosta de ser é divertido. “Ele é o palhaço do mundo felino”, afirma Donna Verba, do gatil The Wild & Heart, no Arkansas, Estados Unidos, uma das primeiras criadoras da raça, à qual se dedica desde 2002.

Sua disposição para brincar realmente é grande. Cheio de energia, ele adora sair correndo pela casa atrás de algum jogo ou brinquedo. Isso gera algum transtorno para o dono? Não mesmo! “É uma raça divertida e certamente fará você rir”, diz a norte-americana.
O excesso de atividades ajuda a explicar a musculatura poerosa, típica da raça. O Highlander macho pode pesar até 11 kg enquanto uma fêmea chega, no máximo, aos 8 kg. Tamanha energia, no entanto, não é gasta com a mesma empolgação quando trata-se de miados. É um gato considerado calmo e silencioso nesse quesito.

Companheirismo

O felino ama a companhia humana, adora brincar e entreter-se conosco. É do tipo que corre para a porta assim que percebe que o dono ou alguma visita está chegando. “Eles não têm medo de estranhos. Tendem a seguir pessoas pela casa, como se fossem cães”, conta Melissa Witmer, criadora norte-americana no gatil Forever Kittens, de Indiana. Highlanders adoram ficar sempre por perto, alguns até em busca de um confortável colo.

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A amizade que o gato estabelece com os humanos é tão forte que rende até mesmo uma função extra para o peludo: pet terapeuta. “Alguns são usados como animais de terapia, ajudando pessoas doentes e portadores de necessidades especiais”, diz Donna. “Sua jovialidade inspira interação, ao mesmo tempo que seu temperamento amoroso tem efeito calmante”, completa Melissa.
Não apenas com adultos, a raça convive muito bem com crianças e com outros animais. Convém se atentar para o perfil do outro companheiro animal, já que o gato possui muita energia e, em alguns momentos, pode importuná-lo. “Highlanders parecem ter uma afinidade natural com crianças”, salienta Melissa. A criadora possui dois cães que criaram fortes laços de amizade com seus Highlanders. “Quando o gato está muito excitado e sai correndo pela casa, ele costuma saltar sobre as costas dos cães, que, se estiverem dormindo, acordam assustados”, se diverte.

História da raça
A aparência selvagem do Highlander pode ser entendida por meio do estudo de sua origem. Ele tem como principal ancestral o Highland Lynx, gato surgido em 1993 e desenvolvido pelo norte-americano Joe Childress, do Timberline Cattery. Esse felino surgiu do cruzamento do Desert Lynx, que tem no sangue genes do Bobcat, um gato selvagem norte-americano de cauda curta, com o Jungle Curl, cujas orelhas são curvas.
O aprimoramento da raça começou a partir de 2002 com o cruzamento de gatos domésticos e selvagens, sendo que todas as raças utilizadas foram americanas. Três anos depois, o Highlander era aceito para registro pela The International Cat Association (TICA). Atualmente, o gato está incluído na classe Advanced New Breeds. Isso significa que está prestes a obter o registro completo, que dá direito a ganhar títulos em exposições. “Os juízes da TICA estão começando a se apaixonar pela raça e agora estão entendendo quando os proprietários e criadores dizem que não é possível possuir apenas um, de tão incríveis que os gatos são”, destaca Donna.
Segundo a criadora, hoje em dia é difícil estimar quantos felinos da raça existem no mundo, visto que muitos compradores não os registram. Contudo, o gatão com certeza já está aprontando pela China, Reino Unido, Sérvia, Canadá e Estados Unidos.

Patas com dedinhos a mais

Home of the Highlande

Outra característica exótica do Highlander é que alguns exemplares podem apresentar a polidactilia (mais de cinco dedos). Alguns chegam a ter até sete dedos em vez dos tradicionais quatro em contato com o chão e o quinto um pouco acima, chamado de garra principal por ser usado para escalar e segurar presas.
Os dedos a mais são herança do Highland Lynx, gato que faz parte da origem do Highlander. O aspecto exótico atrai a atenção dos gateiros, que se encantam pela particularidade. Contudo, tal traço físico ainda não é aceito no padrão da raça. Apesar disso, o grupo de criadores que trabalha pelo reconhecimento definitivo do Highlander na The International Cat Association (TICA) quer introduzir a polidactilia no padrão. Engana-se, porém, quem pensa que o dedo extra é apenas um adorno. Não mesmo! Muitos gatos aprendem a usá-lo em sua rotina. “Minha Queen Spooky usa muito bem suas patas para pegar firmemente em torno de uma tampa de garrafa de refrigerante com o intuito de abri-la. Ela não quer e nem gosta da bebida, mas se diverte abrindo-a”, conta Melissa. Sua gatinha também é muito hábil em abrir armários, por isso a criadora aconselha a sempre mantê-los trancados.

Físico Exótico

O Highlander possui grandes olhos e queixo forte. Sua cabeça parece ser mais longa do que necessariamente larga. Seu corpo atlético e poderoso é sustentado por pernas traseiras longas que combinam com tônus muscular. “Assistir um Highlander movimentar-se é muito belo, tem longas pernas traseiras, flexíveis e fortes, músculos pronunciados e pesada ondulação entre suas omoplatas”, descreve Donna. Já as patas são grandes, com dedos proeminentes e nitidamente resistentes.
A orelha curva, firme e ereta é outra característica singular. A criadora explica que o grau de curvatura pode variar e que alguns, considerados fora de padrão, nascem sem cartilagem e têm orelhas normais. As orelhas do Highlander provêm do Jungle Curl. “Elas são diferentes quando comparadas às do American Curl. No Highlander, a base da orelha é um pouco mais larga e a ponta é menos curva do que a do American Curl, isto é, as pontas são menos dobradas para trás”, detalha Melissa.
Outro destaque do felino é a cauda curta, que deve ter, no mínimo, 2,5 cm. Ela pode variar de tamanho e chegar na altura do jarrete, região atrás do joelho. A preferência é que ela seja reta, embora seja possível encontrar, em alguns exemplares, pequenas torções e dobras.

Gatil The Wild & Heart


O padrão o define como um gato de pelo curto, denso, grosso e resistente, mas também admite uma versão com pelagem longa, cujos fios podem ter até 6,4 cm de comprimento, sendo mais compridos e desgrenhados na barriga. Todas as cores são permitidas bem como quase todas as marcações, só os bicolores não são aceitos. Assim, qualquer gato com manchas brancas somadas a outra cor não está dentro do padrão. A aparência selvagem, com pelagem camuflada e bem marcada, é a mais desejada.



Inteligência Felina

Donna explica que o Highlander é muito inteligente e pode ser facilmente treinado por um tutor que tenha paciência e um pouco de conhecimento. Ele gosta de passear de carro e anda, sem dificuldades, preso à guia, por exemplo.
Gracejos, brincadeiras, o gato adora agradar seu dono. Melissa conseguiu ensinar alguns truques à sua gata, que é apaixonada por batatas fritas (vale ressaltar que esse alimento não faz bem para nenhum animal, por isso é indicado utilizar um petisco próprio para felinos, como alimentos úmidos). “Devido ao grande amor de Winnie por batatas, eu consegui ensiná-la a acenar com a pata em troca de uma”, revela.
Acostume-se também com o desaparecimento de meias ou luvas. Digamos que o bichano tem uma “patinha leve” e pode surripiar alguns objetos de sua família para brincar. “Muitos dos meus Highlanders são ‘ladrões’, eles gostam de carregar objetos em suas bocas”, conta Melissa.

Cuidados

Quem diz que gatos não gostam de água não conhece um Highlander. “Acho prudente avisar aos amigos que se hospedam em nossa casa sobre o amor que o gato tem pela água. Assim não serão surpreendidos com a visita do felino enquanto tomam banho”, brinca Melissa.

Foto: Gatil The Wild & Hear

Inclusive, ao longo do dia, é possível encontrar o gato rondando o banheiro, perto da banheira ou do chuveiro. Eles amam água, alguns chegam até mesmo a nadar. Por isso, o tutor não terá grandes dificuldades quando precisar banhá-los. Apesar de banhos só serem recomendados quando os gatos estiverem muito sujos.
O Highlander não é diferente de outros gatos quando trata-se de tempo frio ou quente. Nos dias de temperatura baixa, o melhor a fazer é espalhar cobertas e abrigos quentes para que ele se aqueça.

Foto: Gatil The Wild & Hear

O cuidado especial que a raça exige é com seus ouvidos. Geralmente, os Highlanders acumulam cera nessa região. Por isso, convém limpar mensalmente o pavilhão das orelhas, área visualmente bastante exposta, onde há acúmulo de cera escura. “Para remover o excesso, pode-se utilizar uma bola de algodão com um pouco de óleo mineral”, ensina Donna.
A pelagem deve ser escovada semanalmente no caso dos gatos de pelo curto. Já os que possuem pelo longo precisam ser escovados ao menos duas vezes por semana. A escovação auxilia a retirar os pelos mortos. Ademais, o gato se notabiliza por ser saudável e não possuir outros problemas específicos ou recorrentes.

Reportagem realizada por Júlio Mangussi com agradecimentos para:

Donna Verba, do gatil The Wild & Heart.
Site: www.wildathearthighlanders.com e-mail: tagiar@earthlink.net


Melissa Witmer, do gatil Forever Kittens.
Site: www.foreverkittenscattery.com e-mail: melissa@foreverkittenscattery.com


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