10 técnicas cat friendly para vets e gateiros

Ensinamos como é possível reduzir o estresse do gato em diferentes situações com um manejo correto

Foto: HASLOO/iStock

O termo cat friendly vem sendo amplamente utilizado entre veterinários e outros profissionais que atuam com felinos. Segundo a médica-veterinária Rochana Rodrigues Fett, sócia e idealizadora da Chatterie Centro de Saúde do Gato, de Porto Alegre, RS, este manejo denominado “amigável do gato” é uma metodologia criada em 2012 pela união da Associação Americana de Práticas de Felinos (AAFP) e da Sociedade Internacional de Medicina Felina (ISFM) para melhorar a tranquilidade do proprietário, o conforto do paciente e o sucesso da equipe veterinária. “Atualmente, as técnicas de manejo cat friendly estão bem difundidas. Nos últimos 5 anos, o número de veterinários dedicados aos felinos está em expansão. Em virtude desse maior número de especialistas, tem sido necessário, mesmo em um sistema como o cat friendly, o aprimoramento de técnicas e a busca de melhorias”, acrescenta a veterinária, que possui certificação Cat friendly Veterinarian da AAFP.
De acordo com Manu Stein, consultora comportamental de felinos, de Guarapari, ES, o manejo cat friendly só traz benefícios para os gatos. “Uma vez que o foco é o bem-estar do indivíduo, avaliamos individualmente as necessidades e preferências de cada gato. Dessa forma, é possível se aproximar de gatinhos mais arredios e inseguros e trabalhar de forma segura (tanto para eles quanto para o responsável/profissional). O manejo cat friendly proporciona uma rotina segura e uma interação sólida e valiosa no vínculo gato x humano”, diz.
O termo cat friendly vem sendo amplamente utilizado entre veterinários e outros profissionais que atuam com felinos. Segundo a médica-veterinária Rochana Rodrigues Fett, sócia e idealizadora da Chatterie Centro de Saúde do Gato, de Porto Alegre, RS, este manejo denominado “amigável do gato” é uma metodologia criada em 2012 pela união da Associação Americana de Práticas de Felinos (AAFP) e da Sociedade Internacional de Medicina Felina (ISFM) para melhorar a tranquilidade do proprietário, o conforto do paciente e o sucesso da equipe veterinária. “Atualmente, as técnicas de manejo cat friendly estão bem difundidas. Nos últimos 5 anos, o número de veterinários dedicados aos felinos está em expansão. Em virtude desse maior número de especialistas, tem sido necessário, mesmo em um sistema como o cat friendly, o aprimoramento de técnicas e a busca de melhorias”, acrescenta a veterinária, que possui certificação Cat friendly Veterinarian da AAFP.
De acordo com Manu Stein, consultora comportamental de felinos, de Guarapari, ES, o manejo cat friendly só traz benefícios para os gatos. “Uma vez que o foco é o bem-estar do indivíduo, avaliamos individualmente as necessidades e preferências de cada gato. Dessa forma, é possível se aproximar de gatinhos mais arredios e inseguros e trabalhar de forma segura (tanto para eles quanto para o responsável/profissional). O manejo cat friendly proporciona uma rotina segura e uma interação sólida e valiosa no vínculo gato x humano”, diz.
Para a médica-veterinária Mayara Corrêa Peixoto, de Fortaleza, CE, que também possui a certificação cat friendly da AAFP, o manejo cat friendly auxilia na relação humano-gato, proporcionando uma comunicação mais efetiva e aumentando o vínculo positivo. “Aumentando o bem-estar do gato em todas as interações possíveis, é possível aumentar a saúde emocional e física, promovendo uma melhor qualidade de vida aos felinos”, explica.

Foto: Dixi_/iStock

VAMOS PARA A PRÁTICA?
Mesmo sem perceber e por falta de conhecimento sobre a espécie felina, muitos gateiros acabam cometendo erros de manejo. A seguir, confira ajustes importantes para adotar práticas cat friendly no seu lar:

1. Não seja um gateiro felícia: respeite os limites do seu gato. “Aqueles responsáveis que não conseguem resistir aos encantos felinos e acabam forçando colo, beijo, carinho. Gatos precisam de controle para sentirem-se seguros, e ser pego no colo, para a maioria deles, é uma ‘quebra’ desse controle. É importante entendermos como nosso gato gosta de receber carinho e como podemos interagir de forma segura e prazerosa para eles, respeitando seus momentos de sono e isolamento – que inclusive são fundamentais para o bem-estar felino”, explica Manu.
Mayara concorda que não respeitar o espaço do animal de estimação e o retirar dos locais onde estão, forçando uma interação física, é um grande erro. “É sempre preferível dar ao felino a oportunidade de iniciar a interação e respeitar as interações preferidas, como carinhos em seus locais favoritos, além de sempre o manter em quatro apoios, o que favorece o sentimento de segurança”, reforça.

2. Garanta recursos suficientes: um erro muito recorrente é a quantidade de recursos incompatível com o número de gatos na casa. “Muitas vezes há apenas uma caixa de areia, geralmente posicionada em local inadequado (por exemplo, perto da máquina de lavar roupa), com tamanhos inadequados (na maioria das vezes o tamanho é pequeno para o gato) e com substratos inadequados, como sílica e granulados de madeira. A ‘regrinha do N+1’ é transformadora, que consiste em ter pelo menos uma unidade a mais que o número de gatos na casa para todos os recursos essenciais: caixa de areia, locais de alimentação e hidratação, locais de descanso, arranhadores etc.).

3. Adapte o seu gato a estímulos corretamente: atividades rotineiras como o corte de unhas, a limpeza de ouvidos e a escovação, são exemplos de cuidados que exigem adaptação e não podem ser forçados para que não promovam o desenvolvimento de emoções negativas e respostas comportamentais indesejáveis nos felinos, explica Mayara. “Sempre associe esses momentos a algo positivo e recompensador para o gato, tornando estas experiências toleráveis”, recomenda. Ainda segundo ela, forçar o contato com pessoas que não são da convivência do gato, assim como outros pets, sem adaptação prévia, pode ser algo aversivo para o gato. “Isso só deve ser feito de maneira estruturada, respeitando a individualidade dele e o seu ambiente”, ensina.

4. Não repreenda seu felino com barulhos e jatos de água: “isso provoca um sentimento de medo intenso, fazendo com que ele se sinta ameaçado e em perigo constante”, explica Mayara, que ainda continua: “esse tipo de estímulo não favorece o aprendizado e pode até fazer com que ele fique com receio de você.” O que deve ser feito, de acordo com Mayara, é fornecer locais adequados e próprios para o animal, além de deixar os locais inapropriados (ou “proibidos”) desinteressantes. “Esta é a melhor forma de desestimular o bichano a usar. O ‘não’ sempre deve ser precedido do ‘sim’ e qualquer tipo de interação nova deve ser monitorada”, acrescenta.

5. Atendimento vet amigável: os veterinários, durante consultas e exames, também devem adotar práticas cat friendly. “Durante o atendimento, é importante manter o ambiente agradável, sem muitos barulhos, sem muita gente no consultório, manter movimentos tranquilos, e prestar atenção aos sinais de estresse no gato. Cobrir a maca de alumínio comum colchonete ou um tapetinho emborrachado ajuda a manter o gato mais firme e confortável (sem contato com a mesa gelada)”, indica Manu.
“Os gatos têm um comportamento social que os coloca na posição de presa e de predador, por isso estão sempre tão atentos a cada movimento e podem – num ambiente novo (por exemplo no consultório), agir de uma forma protetiva. Assim, todo contato com o felino deve ser feito da forma cuidadosa, sem encarar o gato olho a olho, com voz suave e acariciando o gato na face e nas áreas de maior secreção de feromônios. Essa interação será orientada baseada na experiência prévia do felino com consultas veterinárias, que deve ser perguntada ao dono do gato”, acrescenta Rochana.

6. Medicações em casa: como a oferta de medicação fica a cargo do dono do gato, Rochana lembra que é de responsabilidade do veterinário orientar para que essa administração ocorra da melhor forma. “A adesão ao tratamento depende do temperamento do gato e da habilidade do responsável”, destaca.

7. Nunca arranque o gato da caixa à força: retirar o gato à força de dentro da caixa de transporte é um grande erro. “A maioria deles já detesta sair do seu ambiente e costuma ter uma experiência bastante aversiva com a caixa de transporte, o que faz com que eles cheguem ainda mais estressados ao consultório, o que pode comprometer o exame clínico, a coleta de amostras e interferir nos resultados, além é claro, do risco à integridade física dos profissionais e do próprio gato”, destaca Manu.
Desde a chegada no consultório, Mayara diz que os veterinários devem respeitar o tempo do gato, não forçando nenhuma interação, desde a saída da caixa de transporte. “É interessante fazer o atendimento no local que o animal prefira e se sinta mais seguro. Pode ser até mesmo dentro da caixa de transporte, em uma cobertinha ou em uma prateleira. O gato deve ficar sempre em uma posição confortável – sentado ou em pé – e a contenção deve ser a mínima possível. É importante reforçar um estado emocional positivo, fornecendo itens apreciados pelo felino, como alimento ou brinquedo. Isso faz com que as experiências futuras em ambiente veterinário sejam mais tranquilas devido às memórias anteriores agradáveis (ou pelo menos toleráveis)”, detalha Mayara.

8. Mantenha um ambiente positivo: Mayara ainda aponta que é importante lembrar que o manejo cat friendly engloba interações físicas e não físicas. “Então, deve-se manter o local de atendimento tranquilo e sem barulhos, não usar perfumes e se preocupar com os odores deixados por outros animais anteriormente atendidos”, explica.
Manter um difusor de feromônio sintético na tomada durante a consulta veterinária (ou até em casa, em momentos de estresse, como a chegada de um novo gato no lar) é outra forma de trazer bem-estar ao gato, ensina Manu.

9. Atmosfera acolhedora: ainda falando da consulta veterinária, Manu indica o uso de playlists como a do David Teie e do Relax My Cat (ambas disponíveis no Spotify). “Elas podem ajudar a criar uma atmosfera mais tranquila e acolhedora para os bichanos (e por experiência própria, também para os responsáveis)”, acrescenta.

10. Contenção amigável: pegar o gato pelo cangote, colocar focinheira ou outros itens físicos que limitem as respostas comportamentais, também não devem ser feitas, explica Mayara. “Se a consulta não for possível devido à impossibilidade de manipulação do animal, é recomendado um reagendamento com orientações ao responsável sobre técnicas de preparo antes da consulta ou contenção química no momento da avaliação veterinária caso estritamente necessário. Uma experiência veterinária negativa pode comprometer o bem-estar dos gatos a longo prazo, levando à ansiedade ou medo crônico, independentemente do ambiente. Isso influencia na frequência com a qual eles são levados ao ambiente veterinário, podendo adiar tratamentos e cuidados preventivos, afetando de forma significativa a sua longevidade”, alerta Mayara.
Rochana também indica o uso de toalhas para contenção, para que o gato se sinta confortável e, ao mesmo tempo, tenha restrição de movimentos que possam ferir a equipe.

Agradecemos:

Manu Stein
Comportamentalista de felinos (EFAC 2022), pós-graduada em comportamento animal (INSPA 2022), e graduanda em Medicina Veterinária na UVV (3º período). Iniciou sua carreira como cat sitter em 2018 e ainda faz atendimentos na região de Vitória, Vila Velha e Guarapari (ES). Hoje seu foco são as consultorias comportamentais

Mayara Corrêa Peixoto
Graduada em Medicina Veterinária pela UNESP (2009). Possui residência (2012) e mestrado (2015) em Nutrição e Nutrição Clínica de Cães e Gatos pela UNESP. Mentoria em Psiquiatria Veterinária e Comportamento Animal pelo Córtex Saúde Animal (2020). Certificação Cat friendly Veterinarian AAFP (2024).

Rochana Rodrigues Fett
Médica-veterinária graduada na UFRGS, Mestre e Doutora em ciências veterinárias. Especializada em medicina de felinos. Membro da diretoria da Academia Brasileira de Clínicos de Felinos – Abfel, da International Cat Care – ISFM e da American Association of Feline Practitioners (AAFP). Sócia e idealizadora da Chatterie Centro de Saúde do Gato.

Por Samia Malas


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