Persa: um sucesso verde-amarelo

Publicado em 03/04/2025

Gatis brasileiros têm feito um ótimo trabalho e é importante que os gateiros perpetuem o alto nível dos exemplares proporcionando-os cuidados que vão além de manter as vacinas em dia e visitar o médico-veterinário

Foto: Silvia Pratta/Gato: WW24 AW23 NW23 SP BR* Libélula Azul Max DSM/Criador e propr.: Vânia Rocha (gatil Libélula Azul)

A criação nacional de Persa se encontra em um momento especial. “Ela vem se destacando cada dia mais, nossos exemplares estão em excelentes condições, o melhoramento genético da raça em nosso país é comprovado em cada exposição e mesmo os gatos que não participam desse tipo de evento demonstram a seleção baseada no aprimoramento, saúde e bem-estar por parte de criadores sérios e dedicados, que buscam a qualificação e perfeição de todo o plantel”, comenta Vânia Rocha, do gatil Libélula Azul, de Crucilândia, MG. “A criação brasileira de Persa é referência em todo o mundo, seja por qualidades na estrutura, seja pelo preparo coma pelagem, o chamado grooming”, diz Alex Martins, do gatil Daruma, de Sorocaba, SP. “As federações e clubes vêm trabalhando junto aos gatis agregando conhecimento e estudo aos cuidados e bem-estar, para que tenhamos um trabalho genético cada vez mais correto e aprimorado, além de fiscalizar para tornar tipos físicos não desejados cada vez menos frequentes. O que se vê hoje no Brasil são criadores da raça e não vendedores de Persas”, afirma Tatiana Benincà, do gatil Benincà, de Porto Alegre.

EXPOSIÇÕES
Não à toa dois exemplares nacionais da raça obtiveram o título de World Winner na Exposição Mundial mais recente da Fédération Internationale Féline (FIFe). Um deles conquistou tal prêmio por ter sido o 1º colocado entre os exemplares de 8 a 12 meses da categoria 1, que reúne não só o Persa mas também o Exótico, o Ragdoll, o Sagrado da Birmânia e o Van Turco. Trata-se de WW24 KCH Daruma Diplo, JW, de criação e propriedade de Alex. “Diplo possui características que fazem diferença em competições, como o fato de ser compacto, forte e de excelente temperamento – ele gosta de ser tocado”, define o criador, que acrescenta: “Como se vê, com apenas 8 meses Diplo já se consagrou campeão do mundo e, antes disso, também recebeu dois títulos aqui no Brasil, o Kitten Champion e o Junior Winner”. Esse último é dado justamente a filhotes com título de campeão que tenham sido o melhor de sua faixa etária em no mínimo três exposições. Alex finaliza: “E quando Diplo atingir a idade adulta, outros títulos de grande importância muito provavelmente serão obtidos”.
O outro se chama WW24 AW23 NW23 SP BR* Libélula Azul Max DSM, de criação e propriedade de Vânia. Ele conquistou o World Winner por ter sido considerado o melhor macho neutro (castrado) da categoria. Max também é campeão nacional e americano. “Ele possui o padrão físico ideal para a raça, se destacando pela linda expressão, fantástica coloração dos pelos e por ser compacto e pesado, com membros fortes, cabeça larga, orelhas bem posicionadas, olhos grandes arredondados com nariz bem encaixado entre eles, cauda curta, pelagem longa e farta. Além disso, ele está sempre muito bem-preparado para as exposições e possui temperamento incrível, doce e carinhoso”, conta Vânia.
Tatiana, por sua vez, é proprietária de NW’23 SCBR* Vanlui Ava Lane, JW (foto ao lado). “Com apenas 2 anos ela já havia faturado o título de Supreme Champion, o prêmio máximo que um gato pode alcançar pelo sistema da FIFe (Federação Felina Internacional). Para ser supremo o exemplar tem que ser campeão, campeão internacional e grande campeão internacional e, após isso, conquistar ao menos nove vezes o certificado de aptidão ao campeonato supremo, dados por cinco juízes diferentes”, explica a criadora, que acrescenta: “Ava também detém os títulos de Junior Winner e National Winner”. Esse último é concedido para o gato que mais somou pontos em sua classe na categoria em todas as exposições promovidas pelos clubes afiliados ao sistema da FIFe no Brasil.

Foto: Silvia Pratta/Gato: NW’23 SC BR* Vanlui Ava Lane, JW/Criadores: Alessandra e Carlos Moretti/Propr.: Tatiana Benincà (gatil Benincà)
Ava exibe a cor arlequim preta e branca. “Tal coloração exige que o criador faça seleção correta e rigorosa de seus cruzamentos para evitar filhotes que
não atendam às exigências da federação a qual pertencem”, conta Tatiana
Foto: Arquivo do propr. (Tatiana Benincà, gatil Benincà)/Gato: SC PT* Sarthilda’s Warfield (Irineu), importado de Lisboa, Portugal
Criadora Tatiana Benincà: oito anos de paixão e dedicação à raça

CRIAÇÃO NACIONAL
Os gatos mencionados retratam a qualidade do plantel brasileiro da raça como um todo. “As características do Max reúnem o padrão ideal do Persa e espelham o resultado do trabalho da maior parte dos gatis nacionais. A própria árvore genealógica do Max é composta, em sua maioria, por gatos nascidos em nosso país, caso da mãe dele, BR* Sekhymet Marrie, uma fêmea linda. É possível encontrar, espalhados pelo território nacional, muitos exemplares que se comparam a esse padrão, graças à dedicação e esforço dos criadores sérios e comprometidos com o melhoramento genético”, afirma Vânia.
“Não é por acaso que, com Persas, os criadores nacionais foram melhores do mundo mais de dez vezes nos últimos anos”, ressalta Alex.
“Os Persas brasileiros com títulos importantes em exposições personificam linhagens bem trabalhadas e consolidadas há anos por aqui e que resultam em exemplares de alta qualidade e de acordo com o padrão da raça, que pede características como cabeça larga, com orelhas pequenas, arredondadas e posicionadas em suas laterais; olhos grandes, redondos e de cor intensa; narinas bem abertas; queixo forte; corpo – inclusive pernas e cauda – curto”, comenta Tatiana.

Foto: Silvia Pratta/Gato: WW24 KCH Daruma Diplo, JW/Criador e propr.: Alex Martins (gatil Daruma)
Diplo fez muito sucesso no FIFe World Show 2024: ele foi o terceiro gato de propriedade de Alex a conquistar o World Winne
Foto: Alciana Oliveira Vilela/Gato: WW24 AW23 NW23 SP BR* Libélula Azul Max DSM/Criador e propr.: Vânia Rocha (gatil Libélula Azul)
Max e sua coleção de premiações, incluindo a de World Winner
Foto: Silvia Pratta/Gato: GIC BR* Libélula Azul Zeus/Criadora e propr.: Vânia Rocha (gatil Libélula Azul)
Zeus, Persa Black Blotched: nessa cor, comumente chamada brown tabby, idealmente o queixo é esbranquiçado e as listras são largas

GENÉTICA
O pai do Max se chama BR* Funny’s Place Kol. “Quando filhote, ele conquistou o título de Junior Winner. Sua carreira nas exposições foi interrompida para que se dedicasse à reprodução, mas Kol ainda pode voltar a qualquer momento para os eventos”, relata a criadora Vânia Rocha.
“Diplo tem genética de campeões: seu avô materno, Piropo, foi campeão mundial em 2019”, destaca o criador Alex Martins.
“A tia e o pai da Ava também conquistaram o World Winner e ela nasceu no renomado gatil Vanlui, tendo herdado tanto a genética quanto o fenótipo dos seus ancestrais e, assim, seguiu os passos deles ganhando as competições que disputa”, comenta a criadora Tatiana Benincà. Como se pode notar, na compra de um exemplar para procriação é muito importante atestar a seriedade do gatil de onde elevem (por exemplo, um criador responsável evita cruzamentos consanguíneos, que podem trazer doenças genéticas graves). “Na aquisição de um Persa para reprodução, uma das maiores preocupações relacionadas aos ancestrais se refere ao teste de PKD, a doença dos rins policísticos”, acrescenta Vânia. O mal, comum na raça, é geneticamente transmissível e, assim, todos os adultos devem passar pelo teste de DNA para ele. “Mesmo aqueles que querem apenas um animal de estimação devem conhecer a forma de criação e manejo do gatil de origem: criadores sérios e comprometidos seguem um ritual cuidados antes da entrega dos filhotes”, informa Vânia. Tatiana alerta sobre a necessidade de se exigir o pedigree. “É nele que o tutor comprova a pureza da raça e a qualidade da linhagem”, explica ela.

PELO E ALIMENTAÇÃO
“Quando se pensa em Persa, o que vem em mente primeiramente é a pelagem”, afirma Alex. Para que o exemplar da raça a tenha em qualidade pelo menos assemelhada a desses campeões é preciso bastante disciplina da parte do proprietário, pois exige cuidados que envolvem banhos quinzenais (a fim de evitar problemas de pele e manter a limpeza, hidratação e qualidade da pelagem) e escovação diária, para prevenir nós, estimular o crescimento saudável dos pelos novos e retirar fios soltos. “Recomendo o pente de aço inoxidável, antiestático ou de metal coberto com teflon. O grooming do Persa também abrange o alinhamento da pelagem, o que é obtido penteando-se no sentido do crescimento do pelo”, relata Tatiana. Vânia complementa: “Deve-se ainda manter os fios hidratados com produtos específicos para felinos”.
Tatiana acrescenta: “Suplementação vitamínica correta, sempre com aval veterinário, também interfere no bom aspecto de pelagem”. Alex diz: “Para que o Persa tenha um pelo excelente ele precisa de uma pele saudável, e a alimentação de qualidade é o ingrediente principal para que isso seja obtido com sucesso. Trata-se de algo que não se restringe apenas às competições, mas que interfere na qualidade de vida. Saúde e bem-estar: tudo começa pela boca”. Os criadores entrevistados nesta reportagem optam por oferecer aos seus gatos ração super premium específica para exemplares da raça, tanto nas versões seca como úmida.

Foto: Silvia Pratta/Propr. (Tatiana Benincà)/Gato: NW’20 SP BR* SugarCats Melanie DSM DSW, da cor Blue Tortie Point/Criador: gatil Sugar Cats
“Melanie foi a primeira e até agora único exemplar da raça das Américas a ter o título de Distinguished Senior Winner, concedido a gatos com mais de
7 anos que conquistaram por cinco vezes ou mais o prêmio de Best in Show nas exposições”, diz Tatiana
Foto: Silvia Pratta/Gato: BR* Daruma Monet, JW/Criador e propr.: Alex Martins (gatil Daruma)
“Monet venceu todas as exposições que disputou e, em 2023, foi Junior Winner, National Winner e American Winner – campeão americano”, diz Alex
Foto: Silvia Pratta/Gato: SC NW BR* Daruma Rocco / Criador e propr.: Alex Martins (gatil Daruma)
“Rocco foi finalista do World Show de Viena em 2016, ocasião em que conquistamos o primeiro Mundial com Daruma Mika”, relata Alex
Foto: Silvia Pratta/Gato: CH BR* Libélula Azul Cindy/Criadora e propr.: Vânia Rocha (gatil Libélula Azul)
Persa Red Blotched Bicolour: nessa coloração o vermelho se manifesta na cauda, manto e cabeça
Foto: Silvia Pratta/Gato: GIC BR* Libélula Azul Azrael (Az)/Criadora e propr.: Vânia Rocha (gatil Libélula Azul)
Persa bicolor azul e branco, cuja marcação é do padrão van, no qual o branco predomina

ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL
O Persa costuma ser apelidado de “gato de sofá”, por ter personalidade tranquila, não exigir muito espaço e ser bem dorminhoco em certos períodos do dia. “Por exemplo, ele adora ficar se espreguiçando em arranhadores que, justamente por isso, devem ser maiores que o exemplar da raça”, diz Vânia, que acrescenta: “No entanto, o Persa é bem ativo pela manhã e à noite: adora brincar com bolinhas, varinhas, pelúcias, entre outros”.
Assim o ideal é que o exemplar da raça viva em casa com brinquedos que o estimulem a gastar energia e espantar o tédio, trazendo estímulos e qualidade de vida a esse felino, evitando também, que ele desenvolva obesidade.
É recomendável que sejam proporcionados também nichos, ou seja, tocas suspensas, que devem contar com forro antiderrapante. “Dessa maneira o Persa se sentirá mais seguro e, no caso dele, é necessário ainda que os nichos tenham baixa altura ou acesso fácil por meio de escadinhas e passarelas, já que esse gato tem pernas curtas e, por isso, não tem a mesma agilidade das demais raças”, recomenda Tatiana. “Essa ‘escada’ para que o Persa possa escalar pode ser feita, por exemplo, através de uma série de prateleiras, que fazem com que ele se exercite e se dirija a uma toca confortável para dormir ou ver o mundo de cima”, explica a criadora Vânia.
Alex pondera: “Apesar de a verticalização do ambiente ser realmente importante, costumo orientar tutores a não colocar nem os nichos nem as prateleiras de acesso para eles em alturas muito expressivas, diferentemente do que costumam ocorrer no caso das raças de pelo curto, que são mais ativas, intensas e com capacidade para saltos maiores. Para o Persa, cuja estrutura pedida pelo seu padrão racial é a de um gato mais curto – o que explica o porquê de ele não dar saltos tão altos –, a minha indicação é de sempre usar o ombro do tutor em pé como limite para a altura. Assim, mesmo no nicho, o gato pode ser acariciado, receber carinhos, petiscos, entre outros. Além de ser menos perigoso em caso de queda e também de facilitar a limpeza diária”. Ele acrescenta: “Os nichos e prateleiras para o Persa precisam ainda ser um pouco mais largos em relação aos que se costuma utilizar para gatos de pelo curto, justamente pelo fato de serem mais quadrados e compactos”.
Alex afirma que, para o Persa, os comedouros devem ser de diâmetro largo (maior que o tamanho da cabeça desse gato) e de fundo raso e côncavo. “Como a raça tem a face achatada, se a vasilha é profunda e de diâmetro pequeno ele vai enfiar a cabeça e terá dificuldade para respirar e, assim, não vai conseguir ficar por muito tempo naquela posição, o que interferirá na qualidade da alimentação. Além disso, sendo a vasilha côncava, o grão de ração que caí da boca sempre voltará para o fundo da tigela. E, finalizando, sendo o recipiente mais largo, os bigodes do Persa não ficarão esbarrando em suas paredes o tempo todo, o que evita que ele possa se incomodar por conta do tipo e material do recipiente ou temperatura do mesmo”, diz Alex.


Por  Fabio Bense


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