Miau, quero meu patê!

Além de alegrar o gatinho, os alimentos úmidos trazem diversos benefícios para saúde dele.

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Não há nada mais prazeroso para um gateiro do que mimar seus felinos, ainda mais quando se trata de agradá-los pelo estômago. Por isso, alimentos úmidos, ou os famosos molhadinhos, que os gatos tanto amam não podem faltar em casa. Além de serem muito saborosos, eles fornecem muitos benefícios para a saúde.
Gatos, em sua natureza, têm o hábito de ingerir pouca água. Originários de regiões desérticas, eles consumiam presas inteiras com umidade em torno de 60% e bebiam pouca água. Hoje, mesmo com alimentação diferente, eles mantiveram o hábito de beber pouco. Sendo assim, estratégias são necessárias para estimular o consumo de água pelo animal, como espalhar potes de água sempre fresca e limpa pela casa, fontes de água corrente e cubos de gelo nos potes. “Além disso, a troca de alimentos secos, que contêm de 6 a 12% de água, para os alimentos úmidos, que contêm de 60 a 87% de água, pode ser considerada uma opção muito saudável para os felinos”, afirma Chayanne Ferreira médica veterinária especializada em Nutrição de cães e gatos.
Em alguns casos, o alimento úmido pode ser um estimulador de apetite, principalmente quando o animal não aceita a ração seca. “Por conter mais água, ele se torna mais palatável, facilitando o consumo”, diz Chayanne.

Só benefícios!

O aumento da ingestão hídrica, como já mencionado, é um dos grandes benefícios de oferecer um alimento úmido. “A água estabelece o balanço hídrico do organismo animal e é necessária para preservar funções fisiológicas”, diz Chayanne.
Além disso, de acordo com Vivian Pedrinelli especializada em Nutrição de cães e gatos, quando a ingestão de água é estimulada, o risco de formação de cálculos urinários diminui, pois o volume de urina consequentemente aumenta ao passo que sua saturação diminui. O paciente renal também pode se beneficiar com uma alimentação úmida, pois tende a desidratar mais facilmente por conta da condição dos rins. “Gatos que estão se recuperando de alguma doença podem apresentar hiporexia ou anorexia (diminuição ou perda total do consumo alimentar) e muitas vezes oferecer esse tipo de alimento sozinho ou misturado a alimentos secos pode ser uma boa alternativa para estimular a ingestão”, completa Chayanne.

Nada de exageros!

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A hora do molhadinho é sagrada. Quem tem bigodudos em casa sabe que existe um reloginho dentro deles que marca o exato momento da refeição. Eles são insistentes e miam até alguém abrir o sachê ou a latinha da felicidade. Apesar de eles ficarem muito gratos pelo agrado, o tutor deve controlar a quantidade, pois oferecer refeições em excesso pode prejudicar a boa saúde do animal. “A obesidade consequente do excesso de alimentação predispõe o gato ao desenvolvimento de diabetes ou problemas nas articulações, além de poder acarretar problemas de pele,” alerta Chayanne.
Um gato é considerado gordo quando excede entre 15 e 20% do peso considerado normal para a raça, sexo e idade. “O fornecimento da quantidade correta de alimento e petiscos não deve ultrapassar 10% das calorias diárias, quando o animal estiver saudável e magro”, completa.

Quais são eles?! No mercado brasileiro encontramos alimentos úmidos enlatados, no sachê, em potes ou em bandejas. Eles vêm em textura de pasta, patê ou pedaços ao molho. Também entram na lista os alimentos naturais ou dietas caseiras. “Eles podem ser alimentos comerciais voltados para manutenção de animais adultos e crescimento de filhotes ou serem categorizados na linha de alimentos coadjuvantes: dietas para problemas urinários, renais, intestinais e obesidade”, afirma Chayanne Ferreira médica veterinária especializada em Nutrição de cães e gatos.
Segundo Vivian Pedrinelli, também especializada em Nutrição de cães e gatos, indica-se os alimentos para filhotes aos animais de até 12 meses de idade. Os alimentos para adultos devem ser oferecidos a animais cuja faixa etária é de 1 a 7 anos de idade, e os alimentos para sênior são indicados para gatos a partir dos 7 ou 8 anos de idade. “Já os produtos da linha terapêutica têm diversos usos e devem ser prescritos pelo médico veterinário de acordo com a necessidade individual de cada animal”, diz Vivian. “A apresentação e os sabores variam bastante e cada animal irá demonstrar sua preferência. O ideal é entender o que cabe no bolso e que é um tipo de alimento muito importante e interessante a se instituir no dia a dia do gato”, orienta Carla Maion especializada em Nutrição de cães e gatos.

Snack ou refeição?

Já existem no mercado alimentos úmidos completos e balanceados que podem ser oferecidos como dieta aos felinos. Segundo Chayanne, rações com maior teor de umidade normalmente são mais caras que as rações secas e muitas vezes são apresentadas ao consumidor como snacks, dando a ilusão de que não são saudáveis ou completas como as rações secas convencionais. O alimento úmido que contiver a expressão “completo e balanceado” tem as mesmas propriedades da ração seca e pode ser fornecido como único alimento, desde que respeitadas as quantidades para suprir a necessidade do animal. “Por conter mais água, ele deve ser fornecidos em maiores quantidades que a dieta seca”, diz Chayanne.
Carla explica que muitos donos acham os molhadinhos caros ou acabam desistindo por ficarem fora o dia todo e não têm tempo para lavar o comedouro e acondicionar o alimento em geladeira várias vezes ao dia. “Isso faz com que o alimento seco seja mais prático e mais seguro e, por conta disso, o úmido passa a ser oferecido eventualmente, em substituição a uma ou mais refeições ao longo dos dias, 3 ou 4 vezes por semana, por exemplo”, completa.

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Atenção!

É necessário guardar o alimento em geladeira de acordo com as especificações do fabricante para garantir a segurança alimentar do felino. Se o gato não comer o alimento úmido em um curto período de tempo, que é de aproximadamente duas horas, ela irá azedar, além de perder seu aroma agradável e deixar de ser um alimento palatável.
Além disso, se o produto ficar muito tempo exposto, pragas e vetores de doenças podem entrar em contato com ele, prejudicando a saúde do felino. “Caso o animal ingira esse alimento que ficou exposto por muito tempo, podem ocorrer vômitos e diarreia, e dependendo da intoxicação o animal poderá ser internado”, esclarece Vivian.

Agradecimentos;

Carla Maion Realiza consultoria nutricional no hospital veterinário Pet Care unidades Pacaembu, Tatuapé e Ibirapuera

Chayanne Ferreira Veterinária especializada em Nutrição e Nutrição Clínica de cães e gatos e consultora pet food em todo o Brasil

Vivian Pedrinelli Especializada em Nutrição de cães e gatos e colaboradora no site nutricao.vet.br


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